A CIDADE A A SOCIEDADE

 

A Cidade

 
A descrição dos edifícios com seus minaretes e domo em botão de lótus é claramente inspirada no Taj Mahal...
 
...mas a obsessão pelo colossal antecipa cúpula do Große Halle ("Grande Salão") planejado por Albert Speer
 
 
No conjunto, o plano de Hitler e Speer para Berlim sugere o gigantismo atribuído à Shambhala teosófica

 

O Manu instalou-se inicialmente num alto promontório no noroeste da baía. Durante mil anos, cem dos seus descendentes executaram seu plano e dedicaram ao trabalho de construção todo o tempo disponível além do necessário para cultivar a terra para sua própria sobrevivência, morando em acampamentos provisórios.

Foi aplicado muito ouro nas edificações, especialmente nas construídas de mármore branco. Os desenhos decorativos são formados por calcedônia branca polida e ônix negro. Outro artifício favorito consiste na combinação de jade verde-escuro e pórfiro roxo. Não se fez uso de pinturas murais, nem de perspectiva. Grandes frisos pintados e em alto-relevo representavam procissões, com todas as figuras do mesmo tamanho, sem dar idéia de distância ou espaço.

Dos morros se obtiveram metais e pedras de várias cores — brancas, cinzentas, vermelhas e verdes, bem como pórfiro de esplêndida púrpura. Utilizaram-se pedras imensas, algumas das quais com 50 metros de comprimento, transportadas sobre roletes com a ajuda de máquinas. Por meios ocultos, eram endurecidas depois de talhadas e erguidas para ocupar seus lugares.

Os edifícios eram em "escala egípcia", mas muito mais leves em aparência, especialmente na Ilha Branca, onde os domos não eram hemisféricos, mas bulbosos, ou seja, eram grossos na base e se afinavam na ponta, como um botão de lótus fechado, cujas pétalas se tivessem retorcido, formando duas hélices superpostas, uma à direita e outra à esquerda, cujos filetes se cruzassem sobre o bojudo bulbo. As partes inferiores do edifício eram imensamente sólidas, coroadas com minaretes, arcos graciosos e o domo em botão de lótus.

Do mar se erguiam rochedos baixos, a partir dos quais a terra sobe gradualmente até chegar os montes azulados, a 32 quilômetros de distância. Apesar de exposto aos ventos frios do Norte, o panorama era magnífico. A cidade se espalhava em forma de leque em volta da praia, estendendo-se por uma rampa suave. As ruas principais são tão largas que de suas extremidades nas colinas pode-se avistar a Ilha Branca (Shambhala), ponto culminante que dominava toda a vida da cidade.

Quatro vales se estendiam do interior da cordilheira até a praia, separados um do outro por morros interpostos, nos quais o Manu desenvolveria as futuras "sub-raças" arianas antes de espalhá-las pelo mundo.

A cidade do continente, que recebeu o nome de Manova em homenagem ao Manu, espalhava-se em forma de leque em torno da borda da costa, marinhando pelos morros. A Ilha Branca é o centro para o qual convergiam as grandes ruas principais, de modo que, se atravessassem o mar interposto, terminariam na ilha.

A ilha tinha uma forma levemente cônica. Edificaram-se ali esplêndidos templos de mármore branco com incrustações de ouro, cercados de arcos e minaretes, que cobriam a maior parte ilha e alçavam-se voltados para o vasto tempo central, coroado por uma cúpula imensa. A cúpula cobria um grande salão, onde os quatro Kumaras aparecem em ocasiões especiais.

A vista da ilha que se descortinava da extremidade de uma das ruas de Manova, a uns dezesseis quilômetros de distância, era impressionante, com todos os edifícios parecendo saltar no ar em direção à grande cúpula branca do centro, em meio ao mar azul de Gobi. Vista de cima, a Ilha Branca parecia um círculo dividido por uma cruz, pois as ruas estão dispostas como quatro raios que coincidiam no templo central. Visto do promontório do noroeste, onde se localizava a colônia original, o conjunto parecia-se com o Grande Olho do simbolismo maçônico, numa perspectiva na qual as curvas se tornavam cilíndricas e as linhas mais escuras da cidade formavam uma íris sobre o continente.

Uma ponte maciça ligava a Ilha Branca ao continente e fazia Manova ser conhecida também pelo nome de "Cidade da Ponte". Era uma construção em modilhão, lavrada de volutas maciças e decorada com grandes grupos de estatuária. As pedras da calçada mediam 50 metros de comprimento e largura proporcional.

 Sociedade

 

O mundo na época em que Shambhala foi povoada, da catástrofe de 75.025 a.C. à submersão de Poseidônis em 9.564 a.C., segundo W. Scott-Elliot

Sanat Kumara

 Vênus

 A descrição da vida em Shambhala e seu império por Annie Besant e Leadbeater, aceita pela Teosofia, parece antecipar em vários aspectos a ideologia nazista, que possivelmente influenciou por intermédio da chamada Ariosofia, da qual surgiu a Sociedade de Thule, onde se reuniram os primeiros nazistas antes da fundação de seu partido. Assim como o gigantismo da cidade lembra os planos de Adolf Hitler e Albert Speer para a reconstrução de Berlim como Welthauptstadt Germania (Germânia, Capital do Mundo) após a planejada vitória na II Guerra Mundial.

Os descendentes do povo selecionado pelo Manu se consideravam “arianos”, isto é "fidalgos", e sujeitavam-se a um código de honra. Todo trabalho, seja qual for , deve ser considerado honroso, se feito para o Manu. Deve-se cultivar o sentimento da irmandade e cortesia mútua entre os arianos. Devem demonstrar respeito e gratidão pelos mais velhos e uma completa ausência de auto-afirmação. Devem confiar uns nos outros e acreditar que os atos alheios são fruto de boas intenções, até prova em contrário. A palavra de um homem deve bastar; é considerado indigno de um "ariano" quebrá-la.

O sentimento de fraternidade, entretanto, não se estendia a outras "raças". É o caso dos turanianos, considerados astutos, matreiros e desmerecedores de confiança e tratados com acentuada reserva. Rigor, reserva e dureza caracterizavam a política dos "arianos" em relação aos estrangeiros. Eles se mantêm em dignificada reserva, sem jamais dar-lhes consideração especial nem admiti-los no interior de suas casas, mas apenas recebendo-os no pátio externo. Havia casas e pátios separados para hospedagem das eventuais caravanas de mercadores e embaixadores de outras nações. Eram recebidos com hospitalidade e cortesia formais, mas tratados sempre com uma reserva inalterável que assinala uma barreira intransponível.

As pessoas tinham um grande número de amigos e conhecidos. Os administradores eram obrigados a conhecer todos os chefes de família de seus distritos e o conhecimento de um grande número de pessoas é uma das qualificações para um homem chegar a ser dignitário.

As máquinas eram são mais simples e se utiliza mais trabalho manual do que na Atlântida, porque o Manu não desejava que seu povo imitasse o luxo, a sofisticação, o conforto, as rivalidades e o orgulho individualista dos atlantes.

Os instrutores de ciências ocultas punham muito cuidado na seleção de discípulos, destinados a formar parte da casta sacerdotal. Um ministro do Manu exercia a superintendência das classes. Os estudantes mais adiantados tinham para com o Estado o dever de manter as províncias do Império em mútuo contato. Para isso, havia comissários para várias províncias, dando cada qual informação relativa à terra a seu cargo, obtida por clarividência e outros meios ocultos. Estudantes mais avançados transmitiam por telepatia as instruções do Manu aos governadores e vice-reis, bem como suas mensagens de paz e guerra.

Não havia jornais, nem qualquer meio de informação pública além do Estado, que mantém um escritório de informação geral onde os cidadãos qualificados podem procurar as notícias que lhe interessarem. Não era costume dar-lhes publicidade generalizada.

A religião consistia em louvores e ações de graças. As pessoas viviam cantando hinos de louvor, e viam os deuses por trás das forças naturais. Todas as manhãs se entoavam hinos, com alegria, às ninfas da Aurora. O Espírito do Sol e os quatro Kumaras eram tidos por deuses. O planeta Vênus também recebia adoração, em virtude da tradição segundo a qual os Senhores da Chama tinham descido de Vênus. Adorava-se o próprio Céu, e até o Átomo, como origem de todas as coisas e manifestação da Divindade em miniatura.

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