Enveredamos agora por um tema extenso, apaixonante, belo e cheio de magia e encantamento.

Se já é difícil falar sobre religião, mais difícil ainda se torna abordarmos um assunto que por si só já é polêmico e controverso, pois, embora atualmente muito se fale a respeito do paganismo Celta, é cada vez mais evidente que este segmento pouco teve relação real com os povos de origem celta.
Como os celtas promoveram incursões regulares às terras circunvizinhas, culminando com a expansão dos territórios por eles conquistados e povoados, é possível que essas diferentes ondas migratórias fizessem com que fossem assimilados alguns dos hábitos e caracteres culturais desses povos, entre eles, à religião.
A bem da verdade, os Celtas tinham um complexo panteão de divindades o que poderia vir a servir de esboço para a formação de um sistema religioso, só que em cada tribo havia um costume e um Deus que era devidamente cultuado sem a existência de templos ou figuras para serem adoradas.

A histórias desses Deuses era passada de forma comum, jamais escrita, sem a existência de rituais (que só vieram a surgir no século III d.C).
Mas em momento algum os Celtas constituíram um conjunto de valores de fundo religioso de forma organizada.
 
Sabe-se apenas que eles adoravam e reverenciavam os Deuses de acordo com o local onde se estabeleciam e a cultura por eles absolvidas ao conquistar um local por meio de guerra.
Com base nisso, percebemos que em várias tribos celtas existia uma supremacia no culto a divindades específicas, como é o caso do Deus Lugh, cujo nome foi dado a Londres e Lyon em honra a este Deus.
Por isso, quando se fala em paganismo, não podemos atribuir aos Celtas a sua prática e tão pouco a criação do mesmo, apenas podemos dizer que o paganismo Celta existe nos dias atuais porque pessoas que estudaram o panteão Celta, dos quais fazem parte uma gama de Deuses, como: Danu, Lugh, Cernunnus, Dagda, entre tantos outros – da mesma forma que existe o Panteão Grego, Egípcio, entre outros…
Os Celtas tinham literalmente centenas de divindades, alguns desconhecidos fora de uma mesma família ou tribo, enquanto outros foram popular o suficiente para ter uma sequência que cruzaram fronteiras da língua e da cultura.
Por exemplo, o deus irlandês Lugh, associados com tempestades, raios, e da cultura, é visto em uma forma similar como Lugos em Gália e Lleu no País de Gales.
Dentre os deuses celtas cujas figuras os romanos tentaram assimilar a seus próprios deuses, está a tríade fundamental que era encabeçada por Lug - identificado com o Mercúrio galo-romano -, deus-druida, mago, sábio e rei de deuses.
 
Junto a ele encontrava-se Dagda - Taranis para os gauleses - senhor dos elementos e das tormentas, pelo que os latinos o relacionaram com Júpiter; era com freqüência representado como Cernunnos, deus dotado de chifres de cervo, senhor dos animais.
Por último, Ogme, deus da guerra, o Marte céltico. Havia diversas outras divindades; as femininas, como Epona, a deusa-égua, tinham grande importância e em geral eram associadas a ritos de fertilidade
Padrões similares são também observados com a deusa do cavalo Epona, deusa celta continental, e que pode muito bem ser, Macha e Rhiannon para os irlandeses e galeses, respectivamente.
Não podemos encarar a religião celta como uma instituição ou mesmo como algo que coexistia com outros campos da vida das pessoas.
Não existia um momento para a pessoa trabalhar, outro para se divertir e outro para se dedicar à religião.
A religião estava em tudo isso, era ela quem norteava o comportamento e a conduta dos celtas.
O trabalho, os tempos de entretenimento, a arte, enfim, tudo estava ligado à religião.
Em todas as fontes de informação que se tem sobre a religião dos celtas (e não são poucas) devemos ter certa cautela ao aceitá-las como verdades absolutas.
Sites da Internet existem centenas tratando do assunto, cada um dizendo algo diferente. Existem outras centenas de livros (muitos deles, logo nas primeiras páginas podemos notar que não são estudos sérios).
Alguns estudiosos preocupam-se em discernir duas correntes religiosas: a céltica e a druídica. Embora muito semelhantes (levando-se em conta que a céltica é derivada da druídica) existe uma tendência a fazer certas considerações.
Acredita-se que o celtismo era mais rudimentar e mais ligado ao culto da Mãe Natureza, enquanto o druídismo apegava-se a diversas divindades ligadas à natureza.

Outros atestam o politeísmo do povo celta, e já o consideram monoteísta e todas as divindades nada mais eram que extensão de uma Deusa-Mãe.
Ainda há os que os descrevem como monoteístas, que cultuavam o deus-fogo Beal, ligado ao sol (a exemplo de Ra para os egípcios).
Os Celtas não viam os seus deuses como tendo uma forma humana até mais tarde na Idade de Ferro.
Os santuários celtas estavam situados em zonas remotas, como colinas, olivais, e lagos.
Os padrões Celticos religiosos foram regionalmente variáveis, mas alguns padrões de formas de divindade, e formas de culto destas divindades, aparecem em uma ampla faixa geográfica e temporal.
Os Celtas adoravam deuses e deusas.
Em geral, os deuses eram divindades de competências específicas, tais como os muitos Lugh e Dagda-qualificados, e associados com características naturais, muito especialmente rios, como Boann, deusa do rio Boyne.
A assimilação dessas figuras às romanas foi puramente nominal, pois na religião celta os deuses não eram antropomórficos nem se atinham a funções determinadas, mas antes a esferas nem sempre precisas.
 
 
 
Assim, é provável que as três divindades supremas constituíssem manifestações diferentes de um só deus.
A essência da concepção céltica do mundo resultava de uma consciência da contínua inter-relação entre o mundo físico e o espiritual, e daí a concepção de uma realidade fluida e cambiante, que marcou todas as suas expressões artísticas. Nesse sentido, sua crença na transmigração das almas não se radicava tanto na idéia de uma sucessão temporal como, principalmente, na da possibilidade de assumir ao mesmo tempo diversas aparências:
-"Sou o vento no mar, sou um salmão na água cristalina, sou um lago na planície, sou a lança vitoriosa que combate, sou um homem que prepara fogo para uma cabeça."
Essa concepção do mundo como perpétua metamorfose explica a forma como a mitologia irlandesa representa o mar.
Este é encarnado pelo deus Mannanan, força mágica e misteriosa em cujos confins encontravam-se as terras férteis e verdejantes do mundo futuro: o Tir na nog irlandês, a "terra da juventude", ou o Ynys Afallach galês, o "país das maçãs", que daria origem à ilha de Avalon das lendas do rei Artur.
 
 
Todos esses nomes revelam que a imortalidade para os celtas não passava de um prolongamento dos prazeres deste mundo, que por sua vez era bafejado pelo sobrenatural.
Algumas árvores tinham importante significância na religião celta, como era o caso do carvalho (ligada à sabedoria), o freixo (ligado à proteção), o salgueiro (ligado às divindades da água), e etc. Alguns animais também tinham sua simbologia - o touro, por exemplo, estava representava a
 
fertilidade e a serpente ligada à sabedoria.

 
Os celtas acreditavam na existência do “Outro Mundo”, aonde residem os antepassados e demais espíritos. Acreditavam também que determinadas pessoas eram dotadas do poder de comunicação com este mundo. Acredita-se que o fato de os guerreiros celtas serem bravos e destemidos venha da certeza que eles tinham de que a morte nada mais é que uma passagem.
Como eram os rituais celtas para honrar seus deuses isto é difícil precisar.
Sabe-se que as cerimônias eram realizadas em lugares abertos, em campos e florestas.
As florestas de carvalho eram de predileção dos druidas, pelo fato do carvalho ser considerado uma árvore sagrada.