Festival do Fogo Sagrado

Annie Besant e Leadbeater descreveram um "Festival do Fogo Sagrado" celebrado todo Solstício de Verão. Uma infinidade de homens, mulheres e crianças marchavam em procissão, de manhãzinha, ao longo das ruas que convergiam para o crescente fronteiro à Ponte. Bandeiras ondeavam nos edifícios, flores juncavam as ruas, queimava-se incenso, o povo vestia sedas coloridas, pesadas jóias, ostentando esplêndidos ornamentos de coral e coroas e grinaldas de flores. Marchavam tocando pratos de metal e buzinas de chifre.

Interior do templo principal durante o "Festival do Fogo Sagrado".

Ao atravessar a ponte em ordenada sucessão, cessavam a música e passavam em silêncio entre os templos, indo para nave do templo principal, onde se erguia o grande trono, talhado na rocha viva, incrustado de ouro, ricamente adornado de jóias e coberto de símbolos dourados. À frente do trono havia um altar sobre o qual se amontoavam madeiras fragrantes. Acima dele, imenso Sol de ouro, uma meia esfera, projeta-se da parede. No alto da abóbada, o planeta Vênus pendia no ar.

Reunido o povo, entram três Manus, supremos dignitários, envergando seus mantos de oficiantes. No ar acima, num semicírculo, vestidos de púrpura e prata, coruscantes, surgiam os deuses menores que se mantêm atentos, vigilantes e, próximo do trono, os três Kumaras menores. Todos os que rodeavam o trono entoavam uma suave invocação para que o deus supremo se junte a eles. De repente, soa uma nota aguda, o Sol de ouro flameja e, abaixo dele, sobre o trono, refulge uma Estrela brilhante. Aparece o senhor supremo da hierarquia, senta-se no trono, e todos se prosterna, caindo sobre os rostos e escondendo os olhos da glória ofuscante de sua presença.

O supremo suaviza seu esplendor para que todos possam ver o Sanat Kumara em toda a formosura de sua mocidade imutável. Estende suas mãos para o altar, e o fogo o envolve. Em seguida, desaparece; desvanece-se a Estrela, o Sol de ouro mal brilha, só o Fogo continua a arder. Os sacerdotes, então, reservam fragmentos incandescentes de madeira que são dados em vasos tampados aos sacerdotes, para que os levem a seus templos, e aos administradores distritais, para que os distribuam aos chefes de família de seus distritos.

As procissões tornam a formar-se e vão para a Cidade entre cânticos. Coloca-se o fogo sagrado sobre os altares familiares para acender a chama que têm de conservar viva durante o ano. Aos chefes de família que não tenham podido assistir à cerimônia, permitem acender uma tocha, pois até a cerimônia do ano seguinte não é possível adquirir fogo sagrado para os altares domésticos.

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