História da Radiônica

Autor: Sérgio Nogueira

O nosso propósito aqui não é traçar toda a história desta arte mas sim dar aos leitores uma visão geral do nascimento e dos desdobramentos da Radiônica, pois como afirmei anteriormente nosso foco é a prática da arte.

Embora possamos encontrar em muitos autores antigos alguns dos postulados da moderna Radiônica, ela, tal como a conhecemos hoje, começa no início do século passado, e se baseia nos conceitos do Dr. Albert Abrams, médico americano que possuía profundo conhecimento da medicina e da saúde humana.

Albert Abram, descobridor da Radiônica modernaÉ impossível traçar a historia da Radiônica sem contarmos a vida e o trabalho do Dr. Abrams.

O Dr. Abrams nasceu em São Francisco, no dia 5 de Dezembro de 1863, nasce ele no seio de uma família de posses, praticamente nada se sabe dele antes do inicio de sua vida acadêmica, o Dr. Abrams estudou em algumas das melhores universidades do mundo e em 1882 era Doutor em medicina, sua carreira como médico foi vitoriosa em todos os sentidos, tendo ele chegado a diretor e professor de Patologia clínica da Universidade de Stanford e Presidente da Sociedade médica de São Francisco, além de outros títulos.

No entanto, sua grande contribuição à saúde humana ainda estava por surgir, em uma aula, enquanto ensinava aos seus alunos, existem diferentes versões com pequenas (ou grandes) variantes sobre como ele descobriu a Radiônica, no geral dizem que durante seu trabalho, ao percutir o abdômen de um paciente ele percebeu um som abafado em uma dada região, dada a sua experiência, ele percebeu que tal se dava porque havia um problema de saúde, mas para sua grande surpresa, ao percutir novamente no mesmo o som havia mudado!

Inconformado com o ocorrido ele fez com que a pessoa voltasse na mesma posição em que se encontrava no momento da primeira percussão e voltou a encontrar o som, ao mudar de posição o som sumiu novamente, em pouco tempo ele chegou a conclusão de que o posicionamento cardeal estava de alguma forma influenciando o seu diagnostico.

Aprofundando um pouco mais seus estudos ele chegou a mapear todo o abdômen, e percebeu que os problemas de saúde se refletiam em determinadas partes abdominais, algo parecido com o conceito da Reflexologia oriental, começou a ensinar esta técnica a seus alunos.

A próxima descoberta que o intrigou se deu quando ele resolveu ligar uma pessoa saudável a uma pessoa doente através de um fio de cobre, ele consegue, percutindo o abdômen da pessoa saudável encontrar aquele som característico do abdômen da pessoa doente, ele concluiu com isto que a doença tinha um fundo energético, e este era passível de ser transmitido para outras pessoas.

Enquanto Abrams fazia suas experiências a eletrônica começava a desenvolver-se, o homem começava a dar seus primeiros passos rumo ao domínio desta ciência, Abrams, que era um entusiasta do tema, intui que a eletricidade deveria de alguma forma estar relacionada com tudo que ele estava descobrindo, então ele pegou e ligou novamente duas pessoas, uma sã e outra doente por um fio, mas desta vez o fio passaria por diais e resistências, isto causou uma interrupção e ele não mais encontrava o som oco no homem são, ao começar a regular os diais ele foi descobrindo que havia uma determinada posição dos diais onde ele podia captar novamente o problema, neste momento, precisamente, surgiu a Radiônica.

Sua conclusão primeira sobre esta descoberta:

Uma doença é um desequilíbrio energético, sendo este desequilíbrio passível de ser detectado, isto ocorre por um fenômeno de ressonância.

O próximo passo, que era certamente o desenrolar lógico de tudo o que até então ocorrera foi a pesquisa de freqüências que pudessem reverter o quadro patológico de seus pacientes, e para isto foram desenvolvidos diversos equipamentos, alguns para fins específicos enquanto que outros eram de uso mais geral.

pesquisa radiônicaAbrams publica “Spondylotherapy” em 1910 e “Novos Conceitos no Diagnóstico e Tratamento” em 1916 , livros onde ele delineia suas experiências e conclusões, deste ponto em diante ele começou a incomodar muitas pessoas do meio cientifico, criando-se uma situação delicada, de um lado haviam médicos que acreditavam e difundiam suas idéias, muitos vinham da Europa para aprender sua técnica, de outro lado surgiam seus opositores, mais numerosos a cada dia que passava, ele foi acusado de charlatanismo e bastante perseguido. Para se ter uma idéia do tamanho da polêmica, a revista “Scientific American” o denegriu em 18 edições consecutivas a despeito de seus defensores estarem tendo resultados, uma das acusações mais freqüentes era de que ele se enriquecia às custas da Radiônica, uma mentira completamente ifundada já que Abrams já nascera muito rico, a realidade é que ele deixou o conforto que o exercício comum de sua profissão poderia lhe proporcionar em nome de um sonho.

Sir James Barr, ex-presidente da associação médica britânica, foi seu grande defensor após utilizar com sucesso seu método, sobre a perseguição movida contra o médico ele declarou:

“É raro vê-los extrair matérias do Journal of the American Medical Association (um dos detratores) e seria de esperar que o British Medical Journal escolhesse um assunto mais sério que essa tirada ignorante contra um eminente homem que, a meu ver, é o maior gênio da nossa profissão.”

Como bem observaram alguns autores o Dr. Abrams era pródigo em criar desafetos, e sua tendência a dar nomes estranhos aos aparelhos, a negativa em fornecer informações sobre a construção dos mesmos e seu mal desempenho em alguns momentos cruciais foram determinantes para angariar mais opositores.

Porém, fato interessante, seus sucessos nunca eram mencionados, e os havia aos montes junto com alguns insucessos.

Sobre este último ponto existe um episódio muito interessante, alguns médicos mandaram para ele um frasco de sangue para análise, esta foi feita e ele repassou os resultados, diagnosticando, depois os mesmos médicos apareceram a público dizendo que o sangue enviado não era humano e sim de um porco (ou coelho segundo alguns), e que o Dr. Abrams não havia conseguido detectar este fato,  segundo outras fontes quem analisou esta amostra não foi Abrams mas sim um aluno,  enfim, o fato foi amplamente alardeado, já sua apresentação bem sucedida diante de 40 médicos onde ele demonstrou como determinadas substâncias alteravam o padrão do aparelho de acordo com regulagens precisas jamais foi mencionada, bem como seus diagnósticos acertados diante de médicos em outras ocasiões.

Se falava da “enorme fortuna” que o já milionário Abrams estava acumulando, mas não se falava do hospital que ele estava construindo com seus recursos onde seriam ministrados tratamentos gratuitos para a população em larga escala na esperança de que os resultados massivos pudessem convencer a comunidade científica.

De fato Abrams tinha pisado em uma ferida do sistema e nem sua morte foi suficiente para aplacar seus perseguidores, sua memória continuou sendo caluniada.

Obviamente Abrams errou em algumas conclusões, a começar pela sua interpretação de que os elétrons eram os responsáveis pelo processo radiônico, algo natural no ser humano e no início das descobertas, devemos entender que uma disciplina jamais nasce perfeita, cabendo às gerações posteriores aperfeiçoarem o método que naquele momento distava muito da perfeição.

Radiônica Ruth DrownApós a morte do Dr. Abrams o que se viu foi uma perseguição generalizada à Radiônica, o nome mais famoso da Radiônica pós Abrams foi Ruth Drown (1892-1965), uma americana de extrema sensibilidade para operar equipamentos, ela tinha uma intuição desenvolvida como poucos, que complementava sua formação acadêmica, sendo muito familiarizada com as filosofias antigas, sobretudo a Cabala, a mística filosofia de origem judaica; apoiada em alguns pressupostos cabalísticos e nas teorias de Paracelso, Ruth Drown pensou ser possível tratar pacientes à distancia utilizando mechas de cabelo e gotas de sangue, como suas experiências comprovaram tal teoria ela seguiu nesta linha de raciocínio, outra inovação da Dra. Ruth foi a colocação de um sensor tátil na máquina, substituindo o processo de percussão usado anteriormente, processo aliás muito delicado em que facilmente a pessoa se enganava, embora o Dr. Abrams já houvesse criado um processo de utilizar um bastão de vidro visando facilitar o uso da técnica, já que muitos dos seus alunos tinha dificuldades em percutir pacientes.

Mas a grande contribuição de Ruth Drown foi a criação de um aparelho chamado Radiovision, capaz de fotografar os órgãos do duplo etérico de seus pacientes, esta máquina lhe rendeu fama e um processo no qual ela foi formalmente proibida de usar seus instrumentos de trabalho, alguns anos depois ela foi presa após fazer um diagnóstico em uma emergência, tinha ela 72 anos, na prisão seus dias terminaram enquanto ela aguardava julgamento.

Os nomes que vem a seguir são mais modernos, merecem destaque o célebre Hierônymus, Malcolm Rae, George de la Warr e David Tansley, entre tantos outros que seria impossível mencionar, as contribuições destes homens sendo impossíveis de serem mensuradas.

Thomas Galen Hieronymus (1895-1988)

criou máquinas que ficaram muito famosas, era dono de uma percepção fora do comum, seu feito mais notável foi o acompanhamento dos tripulantes da Apolo XI, quando esta estava do outro lado da lua e a comunicação era impossível, a NASA não sabia nada da situação dos astronautas, no entanto Hieronymus, com seu equipamento, acompanhava e passava relatórios sobre todos eles, seus dados foram mais tarde comprovados.  Entre seus sucessos se encontra o trabalho que este iminente radionicista prestou a empresa 3M, quando esta teve um problema com um novo produto que eles haviam desenvolvido mas que apresentava problemas, sua avaliação descobriu que o problema se devia a traços de solvente que haviam contaminado o produto, uma vez removido o problema tudo foi resolvido. Seus tratamentos de plantações também ficaram famosos.

Radiônica George De La WarrGeorge de La Warr (1905- 1969)

Foi o responsável pelos aparelhos mais famosos e utilizados na Radiônica, criou a chamada base 10, que norteia ainda hoje a construção de gerações de máquinas pelo mundo afora. De La Warr foi um estudioso profundo que questionava bastante, creio que tenha sido  primeiro pesquisador a entender melhor o papel da mente na Radiônica, ele sabia que os aparelhos possuíam uma ligação mental com o operador e sabia também fazer uso disso, alguns de seus instrumentos por exemplo só funcionavam na presença de algumas pessoas, da mesma forma ele de vez em quando pregava peças em seus alunos para entender o mecanismo da mente, em uma destas histórias ele teria separado dois grupos de plantas e dito aos alunos que um dos grupos estava sob tratamento, porém ele não as estava tratando, era apenas uma brincadeira para ver se a vontade dos alunos de que suas experiências dessem certo poderiam ter efeito sobre as plantas, semanas depois elas estavam bem mais bonitas e crescidas que as não “tratadas”.

Malcolm Rae (1913 – 1979)

Um pesquisador prático, sempre buscando a simplicidade aliada a eficácia, seus aparelhos são flexíveis e com um esquema “elétrico” limpo, sua maior contribuição sem dúvida foi a criação de aparelhos que funcionam através do princípio magnético e nos quais se utilizam cartões geométricos.

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Radiônica David TansleyDavid Tansley (1934-1988)

Foi parceiro de Malcom Rae,  contribuiu para o avanço da Radiônica em todos os sentidos, em suas obras ele se mostra um pensador bastante maduro, analisou os diversos ângulos da Radiônica, apontou caminhos, mostrou falhas e criticou bastante tanto a abordagem materialista quanto a excessivamente mística de muitos operadores  , deu sua maior contribuição na área do diagnóstico, inserindo uma metodologia baseada em conceitos energéticos e não apenas orgânicos.

Sua idéia era que se a Radiônica lida com algo extra físico então não tinha sentido o diagnóstico do ponto de vista meramente material. Um fato digno de nota é que Tansley já na década de 70 se posicionava contra a tentativa dos radionicistas de buscarem explicações para a Radiônica na Física, uma mania que ainda hoje não foi extirpada do meio.

Para ver os principais aparelhos radiônicos criados através dos tempos basta visitar nosso museu virtual de aparelhos radiônicos.

No Brasil a Radiônica ainda está começando, na década de 80 um grupo começou a fabricar algumas máquinas, um projeto que posteriormente foi descontinuado, no meio da década de 90 os aparelhos eram praticamente inexistentes e o tema Radiônica raramente era abordado de forma justa, sendo geralmente atrelado aos gráficos radiestésicos. Um interessado poderia passar anos procurando informações e tudo que existiam eram três livros em português onde era possível se informar dos aspectos teóricos do tema.

De forma bastante tímida começaram a haver mudanças à partir do ano 2.000, e a internet foi crucial neste processo por ter permitido maior troca de conhecimentos, já que pudemos com isto contatar associações e pesquisadores de outros países, adquirir aparelhos importados e publicações sobre o tema, descobrimos também que a Radiônica estava muito além do que supúnhamos e do que sabíamos pelas fontes disponíveis.

Foi somente à partir de 2005 que começou a surgir de fato o interesse pela Radiônica no Brasil, tendo mais divulgação e maior acesso aos aparelhos por parte dos estudantes, neste ponto tivemos nossa participação, colocando pela primeira vez aparelhos confiáveis a custos acessíveis no mercado.

Não existem dados sobre a quantidade de operadores existentes no Brasil atualmente, se contarmos como usuários aqueles que possuem máquinas e capacitação técnica para sua utilização somos algumas centenas apenas, porém existe uma tendência ao crescimento nos próximos anos.


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