O Caminho Iniciático

  

Por Pedro Elias
Publicado em 02 de novembro de 2009


Quando a nossa consciência deixou os patamares superiores do universo e se debruçou sobre as esferas temporais, lançando-se nessa aventura cósmica que é a encarnação, ela o fez estabilizando a sua luz em diferentes planos dimensionais, servindo-se para isso de corpos de matéria diferenciada. Foram assim criadas as Mónadas, as Almas, e toda a estrutura física necessária à encarnação. Esses corpos, a que dou o nome de estabilizadores de consciência, permitiram que essa consciência, estabilizada no respectivo plano, pudesse, servindo-se desse corpo, agir e servir nesse mesmo plano.

Assim sendo, enquanto que um filamento não muito potente dessa consciência se expressa fisicamente através de uma personalidade, que é composta pelo corpo físico, emocional e mental, outros núcleos dessa mesma consciência, numa potência superior, expressam-se nos outros planos. Temos assim o corpo-Alma que serve de veículo à parte da nossa consciência que se encontra estabilizada no plano intuitivo e o corpo-Mónada que ancora em si a potência máxima do Ser individual, estabilizando essa consciência no plano monádico. Essa concentração daquilo que nós somos em diferentes planos e em voltagens variadas, permite que, embora tendo um dos filamentos encarnados no plano físico, nós continuemos, simultaneamente, a agir nos outros planos, mesmo que no plano tridimensional não tenhamos consciência disso.

Para ajudar a visualizar este processo vamos supor que a nossa Mónada contem em si 1000 volts de consciência, o que lhe permite irradiar uma luz muito potente e abrangente. Imaginemos, também, que a Alma contem em si 100 volts de consciência e que a personalidade contem apenas 10 Volts de consciência. Essa consciência é aquilo que nós somos, é o nosso verdadeiro ser que se encontra presente nesses núcleos em potências variadas.

Esta ilustração permite-nos perceber de forma mais clara o que é exactamente o processo iniciático, que sendo uma expansão da consciência tridimensional do ser, permite, quando acontece nas suas múltiplas fases, que a personalidade receba uma maior voltagem da consciência que nós somos e com isso possa expressar um grau de luz mais potente. Assim, à medida que o ser vai caminhando pela trilha iniciática, a Alma abre a sua válvula e deixa que uma maior voltagem de consciência chegue até à personalidade que aos poucos se vai iluminando numa potência crescente.

Este caminho iniciático tem como objectivo final a integração dessa consciência fraccionada em múltiplos planos, num único núcleo consciente a que damos o nome de Corpo de Luz. Este corpo, ao contrário dos outros que nos foram ofertados, foi criado por nós ao longo das encanações e é com esse corpo, já com toda a expressão do nosso ser concentrada neste, que regressaremos um dia ao núcleo regente que é a expressão divina do nosso ser.

As várias fases desse processo iniciático, irão permitir que o ser se vá reencontrando consigo mesmo, e com a suas múltiplas formas de expressão dentro do plano Físico Cósmico. Plano este é composto por sete sub-planos que vão desde o plano físico ao plano divino. É neste plano Físico Cósmico que se encontra todo a nossa estrutura vertical, começando nos três corpos da personalidade, passando pela Alma e pela Mónada e terminado no regente que é Deus em nós.



Estas iniciações são processos internos que resultam do contacto do nosso ser com a sua regência hierárquica e que por isso mesmo não têm nenhuma expressão tridimensional. Nada na nossa vida comum pode denunciar aquilo que estamos a viver internamente. São processos que não acontecem no tempo dos relógios humanos, nem pela vontade ou pela acção de nenhum ser encarnado. Quem passa pelas iniciações fá-lo em total silêncio, e apenas as transformações na sua expressão e no seu comportamento, pois todo aquele que passa por uma iniciação não mais será a mesma pessoa, poderão denunciar aquilo que aconteceu.

Existem vários núcleos conscienciais que não estão sujeitos às iniciações, sendo estas reservadas apenas às humanidades em suas múltiplas expressões. A Hierarquia Angélica, como uma emanação do universo-Pai, a Hierarquia Crística, como uma emanação do universo-Filho e a Hierarquia Dévica como uma emanação do universo-Mãe, não estão sujeitas a esse processo por serem núcleos iniciadores e não iniciados. Nestes núcleos está a plenitude da consciência da qual são um filamento directo, não havendo processo algum a realizar, já que tudo já está plenamente realizado neles mesmos.

Este processo iniciático começa, naturalmente, pela primeira iniciação que é concedida, não àqueles que ainda estão mergulhados dentro do psiquismo em que a humanidade em geral se encontra, mas a todos aqueles que, dentro da ciência espiritual, chamamos de aspirantes. O aspirante é um ser que, já tendo deixado essa malha hipnótica, ainda não se reencontrou consigo mesmo. Está numa espécie de limpo, onde já não se identifica muito com o seu passado, embora ainda se sinta bem dentro dos seus hábitos, e ainda não encontrou o seu futuro. Geralmente são seres que têm uma busca quase que obsessiva por conhecimento espiritual, por técnicas terapêuticas, por métodos de todo o tipo, numa voracidade que esconde esse vazio existencial de quem ainda não sabe ao certo onde pousar os seus pés. Apenas quando este aspirante começar a sentir um vazio no seu peito e a perceber que, apesar de todos os conhecimentos adquiridos, das técnicas aprendidas, dos métodos aplicados, nada de real aconteceu nele, continuando a mesma pessoa de sempre, é que a porta da primeira iniciação lhe será aberta.

A Primeira Iniciação é conhecida como sendo o nascimento dentro da simbologia da vida de Jesus. Ela produz no ser uma profunda transformação. Com a expansão de consciência que dali resulta, uma maior voltagem se encontra disponível na personalidade e com isso o ser passa a ter uma visão mais ampla sobre as coisas e sobre o mundo. Tudo aquilo que eram as suas referências de vida, os seus hábitos, os relacionamentos, o trabalho, etc... passa por uma profunda transformação, pois aquele ser não mais se identifica com tudo isso. De repente, aquilo que era a sua vida torna-se um imenso vazio. Já não sente mais afinidade com os amigos que tinha, já não sente mais necessidade de fazer as coisas que fazia, já não se identifica mais com aqueles hábitos que lhe traziam pequenos prazeres. Há uma necessidade crescente de recolhimento, de silêncio, de introspecção, afastando-se aos poucos dos ambientes que até então frequentava. Um ser que está a viver o processo desta iniciação, é alguém muito pouco compreendido pelos demais, pois de um momento para outro ele não tem mais afinidade com tudo aquilo que era a sua vida até então. Ele passou a sentir-se um estranho dentro da sua própria rotina de vida. Começa então a procurar outros ambientes com os quais tenha uma maior afinidade. As suas leituras, que na fase de aspirante eram massivas, são agora mais seleccionadas e sintonizadas com a sua realidade. Começa a encontrar aqueles que são irmãos de caminho, não só pela semelhança daquilo que estão a viver, mas também, em alguns casos, por serem almas de um mesmo agrupamento. Pela primeira vez o ser começa a sentir a energia da Alma expressar-se através de si, e com isso vêm estados de paz, de harmonia e de verdadeiro silêncio, não ainda de forma permanente, algo que só acontecerá com a terceira iniciação, mas em pequenas dozes que o ajudarão a sintonizar essas realidades internas. Em alguns casos o ser até poderá ter contactos esporádicos com a Hierarquia. É um período de muitas descobertas, do despertar para realidades até então desconhecidas. Esta iniciação é como um porto de abrigo, um vislumbre de estados de consciência futuros onde tudo isso será vivido de forma plena e permanente, pois agora apenas é vivido de forma intermitente. Ali o ser se fortalece, preparando-se para a aridez da segunda iniciação.

A Segunda Iniciação é conhecida como a travessia do deserto, ou também como a noite escura da Alma. Jesus recebeu essa iniciação com o baptismo, após a qual foi levado para o deserto onde permaneceu por quarenta dias. Depois da leveza, da tranquilidade, da paz com que o ser viveu todo o processo da primeira iniciação, ele entra agora nesse deserto onde tudo isso lhe é retirado. Ele não sente mais a sua Alma, ele não tem mais contacto com a Hierarquia; aquela paz que permeava alguns momentos da sua vida desaparece, e ele vê-se abandonado no meio do deserto, sem nenhum tipo de referência. É uma prova difícil, onde o ser apenas poderá contar com a sua Fé e nada mais. Ali, nesse deserto, ele é confrontado com a involução dentro dele, com aqueles nódulos antigos que necessitam ser transmutados para que ele se possa tornar verdadeiramente um iniciado. Porque se o tanque de água estava limpo na primeira iniciação; se essas águas eram translúcidas e tudo reflectiam, na segunda iniciação o lodo do fundo desse tanque, que não foi mexido na iniciação anterior para que o ser pudesse viver o contacto com os seus planos internos de forma pura e sem interferências, é agora mexido na segunda iniciação turvando essas águas com todo esse lixo ancestral que transportamos ao longo de encarnações. Ninguém poderá tornar-se um iniciado, e por isso um verdadeiro servidor do plano evolutivo, com todo esse lodo por resolver. A segunda iniciação permite que possamos transmutar todos esses registos e com isso alcançar a verdadeira liberdade. Não é um processo fácil. O ser sente-se abandonado por Deus, perdido e traído. Pode parecer até que está a retroceder no seu processo evolutivo, pois se na iniciação anterior ele era uma pessoa doce, harmoniosa, atenciosa, como justificar a crescente inquietação, surtos de raiva, palavras mais ríspidas... muitos não conseguem resistir à revolta que os assola, e com isso acabam por ser alvos fáceis para as forças involutivas que irão tentá-los de todas as formas como o fizeram com Jesus no deserto. Aqui há que saber persistir na Fé e não nos deixarmos seduzir pelas ofertas que essas forças nos fazem, nem nos deixarmos impressionar com esses aspectos mais rudes do nosso ser que começam a vir à superfície para que possam ser transmutados. É que ali no meio desse deserto, o ser contacta com os núcleos de uma dor ancestral que clama há muito por cura. É a oportunidade que o universo nos dá, para nos libertarmos definitivamente de todos esses registos antigos e com isso soltar dos nossos ombros toneladas de carma acumulado. Esta iniciação só é vivida por aqueles que estão destinados a tornarem-se prolongamentos encarnados de Hierarquias. A maioria permanecerá na primeira iniciação, pois talvez não suportassem essa travessia. E como isso poderia fazer com que se perdessem nesse deserto, a Hierarquia mantém muito seres no processo da primeira iniciação onde poderão ser de muita utilidade para o plano evolutivo na actual transição planetária, embora não com a mesma afinação e segurança daquele que já atravessou esse deserto.

A Terceira Iniciação é um prolongamento da primeira, só que agora tudo é vivido de forma estável e permanente. Corresponde à transfiguração de Jesus onde este entra em contacto directo com a sua regência Hierárquica, passando a ser um prolongamento desta. Com esta iniciação o ser é aceite pelo Mestre que se faz presente, e a energia da Alma volta a fluir através dele, absorvendo por completo a personalidade que só na iniciação seguinte será dissolvida. É nesta iniciação que o ser entra verdadeiramente ao serviço do plano evolutivo, tornando-se um prolongamento directo da Hierarquia. Um ser que vive este processo é alguém que já está em total harmonia física, paz emocional e silêncio mental. A partir daqui não há mais como retroceder, nem as forças involutivas de âmbito planetário poderão mais desviar o ser do seu caminho.

A Quarta Iniciação é uma continuação da segunda, só que agora não é mais o carma pessoal que está a ser transmutado mais sim o carma planetário. Enquanto que na segunda o ser era confrontado com as suas dores ancestrais, agora ele contacta com a dor ancestral da humanidade. É uma das iniciações mais difíceis. Este processo é geralmente vivido em recolhimento; o ser tem a necessidade de se afastar do mundo para poder viver internamente essa dor e com isso ajudar a aliviar, nos seus próprios corpos, o fardo do planeta. Com esta iniciação a personalidade do ser é totalmente dissolvida, e é por isso que no fim desse processo, quando ele recebe a Quinta Iniciação, o ser desencarna e segue o processo seguinte noutros planos de consciência. Esta iniciação corresponde à crucificação de Jesus, após a qual, ainda com vida, este é levado para a tumba onde permanece por três dias até desencarnar e ressuscitar, já com a quinta iniciação, sobre as vestes do Corpo de Luz. Ali Jesus viveu as dores do mundo na sua carne terrestre, aliviando a humanidade de parte do seu carma.

A Quinta Iniciação, que é um prolongamento da terceira, e que se dá com o ser desencarnado, é um dos mais belos processos iniciáticos, pois é conhecido dentro da poética espiritual como sendo o Matrimónio Superior. Quando a noiva, a Alma, se eleva do plano intuitivo até ao plano espiritual e encontra o noivo, a Mónada, que desce do plano monádico e ambos, sobre as vestes do Corpo de Luz que foi tecido ao longo das encarnações por nós mesmos, se juntam num único núcleo consciente, dá-se essa união sagrada que unificará toda a expressão vertical do nosso ser. Se, no entanto, olharmos para esta iniciação, não pelos olhos da poética espiritual, que é um instrumento de instrução poderoso, mas pelos olhos da ciência espiritual, nós percebemos que na verdade nem a Alma sobe nem a Mónada desce, pois sendo estes dois núcleos estabilizadores da consciência que nós somos nos seus respectivos planos, e por isso não sendo corpos multidimensionais, eles não se deslocam verticalmente. Apenas a consciência do ser faz esse trajecto vertical pelas várias dimensões e não os corpos onde esta se encontra estabilizada. O que acontece no processo da quinta iniciação, é que esses dois núcleos, Alma e Mónada, são dissolvidos e a consciência que se encontrava ancorada nestes conflui, toda ela, para o plano espiritual onde passa a concentrar-se integralmente no novo corpo. Este corpo, ao contrário dos outros, é um corpo muldimensional que permitirá ao ser agir de forma directa e consciente em todos os planos. Um ser com a quinta iniciação, é alguém que pode operar com total liberdade desde a terceira até à sexta dimensão, tendo um domínio total sobre a matéria de tal modo que poderá materializar um corpo físico se se fizer necessário actuar nesse plano de forma encarnada, sendo esse corpo dissolvido quando a sua tarefa terminar. Assim foi com Jesus que desde a ressurreição (quinta iniciação) até à ascensão (sexta iniciação) andou fisicamente entre os seus discípulos. O ser passa de Iniciado a Adepto, participando de modo activo em concelhos planetários e solares e actuando de forma nuclear com Hierarquias e Centros Planetários. Esta iniciação corresponde à primeira iniciação Solar.

A Sexta Iniciação é o processo que conduz ao mestrado superior. É vivido por aqueles que chamamos de Mestres. Ao contrário da quarta iniciação em que o ser, como Iniciado, era confrontado com a dor do planeta, e da segundo em que ele, como Discípulo, tinha que transmutar a sua própria dor ancestral, nesta iniciação o ser, já como Mestre, entra em contacto com a dor do universo e com os núcleos involutivos que a sustentam. Esta iniciação corresponde à primeira iniciação de Sirius, o que significa que esse ser passará a ter um contacto directo e nuclear com a regência do nosso sistema solar e com a expressão mais pura do Segundo Raio dentro do plano Físico Cósmico.

A Sétima Iniciação levará o ser à unificação com o seu núcleo divino. Este é o processo de elevação do Corpo de Luz, que até então circulava livremente pelas seis primeiras dimensões, até à sétima dimensão onde se encontra o Regente. É com a sétima iniciação que todos os prolongamentos desse regente, que fizeram o seu percurso na matéria, se unificarão nesse núcleo Divino, abrindo as portas do plano Astral Cósmico onde o regente se consagrará, mais tarde, quando os cinco princípios também se unificarem ao regente, como Avatar. Aqui já estamos no domínio das Hierarquias que são formadas a partir desta iniciação.

As iniciações seguintes só podem ser percebidas de forma sintética.

A Oitava Iniciação coloca o ser em contacto directo com os Signos Cósmicos, que são portais de ligação entre o Universo-Mãe e o Universo-Filho de onde os Cristos são emanações. Esta iniciação corresponde à primeira iniciação de Orion. É também nesta iniciação que o ser se realiza como Avatar, após a unificação integral de todos os seus prolongamentos.

A Nona Iniciação está directamente ligada ao centro da galáxia e seu Logos, e a

Décima Iniciação eleva o ser a esferas extra-galácticas, correspondendo à primeira iniciação de Andrómeda.



A vida de Jesus traz para nós a matriz iniciática pela qual todos temos que passar. Através das suas várias iniciações, nós percebemos o caminho que está destinado a todos. Da primeira à sexta iniciação temos o surgimento de um Mestre, na sétima iniciação, temos a fundação de uma Hierarquia. Com a oitava iniciação essa Hierarquia, Samana, entra em contacto com os Signos Cósmicos, recebendo a primeira iniciação de Orion. Com a nona iniciação, a actual, dá-se o contacto com o centro da galáxia, sendo hoje Samana um filamento directo desse Logos. E como o Logos galáctico é uma entidade que opera directamente no plano Monádico Cósmico, ou seja no universo-Pai, onde se encontra o Governo Celeste Central, então podemos dizer que Samana, que enquanto Jesus, um dos seus núcleos, foi um filamento do Filho, é hoje um prolongamento directo do Pai.

Este caminho que nos foi aberto por Jesus e que hoje é sustentado por Samana, está aí para todos. É o caminho do reencontro com a nossa essência nas suas diferentes gradações e dimensões. É o caminho de regresso à casa do Pai que nunca deixámos em essência mas que da qual, pela necessidade de transubstanciar a matéria cósmica, nos tivemos que destacar ao longo das múltiplas dimensões do universo vertical, encarnando as esferas temporais do universo-Mãe. Um dia esse universo será reintegrado ao universo-Filho, da mesma forma que a personalidade de um ser é reintegrada na sua Alma. E um dia, desses dias cósmicos que são para nós eons, o universo-Filho e o universo-Pai se unificarão num único núcleo consciente. Então, finalmente, a trindade se fará unidade e o Cosmos como um todo poderá consagra-se diante do altar do Supremo Ser de quem não temos notícia nem palavras para descrever.

Uma boa caminhada.
Pedro Elias

Fonte: http://indigochildren.multiply.com/journal/item/818/818
Pedro Coelho
http://www.luzdegaia.org/