O Evangelho de Maria

  

O chamado Evangelho de Maria, é um texto provavelmente do século II ou III, encontrado no Egito, que faz parte dos denominados Códices de Berlim, juntamente com os Apócrifos de João e outros textos. Menos da metade do documento foi preservado, sendo que dez das dezenove páginas estão perdidas.

 A principal personagem do evangelho é Maria, mas não há certeza se ela é a Madalena ou não. Como ela é referenciada várias vezes no texto como "discípula amada", e pelo conteúdo do texto, os analistas inferem que se trata de Maria Madalena.

 O texto, de característica Valentiniana, de cunho altamente místico e narrado como uma revelação divina, descreve a queda da alma na matéria, sob o ponto de vista gnóstico. O texto não conta a vida do Cristo, mas parte do ponto quanto Jesus já ascendeu aos céus, e os discípulos inquirem Maria a lhes falar do Cristo e a lhes ministrar ensinamentos que apenas ela ouviu do Mestre.

 Pedro disse para Maria:
"Irmã, sabemos que o Salvador a amava mais
do que às outras mulheres.
Conte-nos as palavras que você se lembra.
As coisas que você sabe e nós não,
E nem as ouvimos dele"
Maria respondeu, dizendo:
"O que lhes foi ocultado, eu direi." (Evangelho de Maria cap. 10 v.1:5).

 Neste evangelho, mais do nunca, ela é a portadora da Gnose, sendo a única que recebeu determinados ensinamentos do Senhor. E como tal, tem uma autoridade inquestionável sobre os demais discípulos, apesar de que, também neste texto, Pedro e outros homens não aceitam de bom grado sua ascendência sobre o grupo. É ela que envia os apóstolos para o mundo, representando novamente a consciência interior de cada um deles, lembrando a todos as palavras do Cristo para que pregassem o Seu evangelho.

 "Mas eles (os discípulos) estavam aflitos e lamentavam muito, dizendo:
"Como poderemos ir por todas as nações e pregar o evangelho do reino do Filho do homem ?
Se eles não o respeitaram, como nos respeitarão? "
Então Maria levantou-se, abraçou a todos e disse ao seus irmãos:
"Não lamentem, não se aflijam e não formem dois corações,
pois a graça dele estará com todos vocês
e irá protegê-los.
Antes, louvemos-lhe a grandeza,
Pois ele nos preparou.
Ele fez de nós Filhos do homem."
Quando Maria disse estas palavras,
Encaminhou seus corações para dentro, para o Bem
E eles começaram a praticar as palavras do Salvador" (Evangelho de Maria cap.9 v.5:20).

 Mais uma vez somos lembrados que temos o Cristo em nosso coração, e se O temos, nada devemos temer. É a fé inabalável de quem presenciou sua ressurreição, que lhe dá a grandeza de poder falar em Seu nome. É apenas através da Alma que podemos sentir esse chamamento, sendo Maria portanto a mediadora entre o Cristo e todos nós seus discípulos.

 Maria Madalena é então, além da Apóstola dos Apóstolos, a transmissora da Gnose, a Companheira do Cristo, a Centelha Anímica dentro de nós, que anseia pela sua reunião como o Salvador. É principalmente nos Evangelhos de Felipe e de João, que o conceito de Madalena como a consorte do Cristo na câmara nupcial, será melhor elaborado, como veremos adiante.