TOLTECAS AMERICANOS

 
 

Parte dos toltecas que se dirigiu à América Setentrional tinham a sede do seu império no Peru, que foi onde melhor se refletiu o antigo apogeu atlante. Os peruanos, ou os Filhos do Sol, como se autodenominavam, tinham amplas mandíbulas, sua cor era vermelho-bronzeada. Eram de índole franca e alegre e de agudo intelecto. O povo se mostrava, em geral, feliz e pacífico. O regime de governo era a monarquia teocrática, de absoluta responsabilidade por parte da classe dominante.

O reinado tolteca era dividido em províncias, governada por um vice-rei. Estas províncias eram divididas em governos de cidades e distritos menores. Havia uma bem elaborada e rigorosa hierarquia de oficiais do rei. Cada oficial cuidava do trabalho, do contentamento e do bem estar dos habitantes sob sua jurisdição. A tônica do regime era a responsabilidade. Havia forte compenetração do cidadão para com seus deveres com o estado tolteca e para com a coletividade. A maior pena, para reincidências em irresponsabilidades, de quem quer que fosse, seria o desterro.

Os antigos peruanos dedicavam-se à agricultura e detinham bons conhecimentos de agronomia, irrigação e astrologia, a fim de determinar os melhores tempos de plantio e colheita. Tinham celeiros públicos e uma bem elaborada rede de aquedutos para suas lavouras, assim como, uma rede estradas que cobria todo o império. Tinham conhecimentos de metalurgia, com o quais fabricavam suas lanças e espadas, para o exército. Empregavam ferro, cobre, latão e bronze. Possuíam também uma delicada ourivesaria, além de bons conhecimentos de cerâmica. A educação das crianças e o cuidado com os idosos e dos doentes ficavam a cargo dos sacerdotes do Sol.

Os toltecas de maior evolução cumpriram sua missão expiatória na Terra e acabaram retornando para Capela. Seus remanescentes, com o passar dos milênios, entraram em franca decadência de costumes. O que mais pesou na sua decadência foi a crueldade para com os povos limítrofes, tornados seus escravos e a introdução de sacrifícios humanos em seus rituais. Os povos que melhor refletiram o antigo apogeu tolteca foram os maias, astecas e incas.


OS MAIAS

Das três grandes civilizações pré-colombianas conhecidas, os maias são considerados os mais misteriosos devido à sua cultura estar em franco declínio quando da chegada dos espanhóis e também devido a maior parte de sua escrita ter sido destruída pelos frades catequizadores (*). Razão pela qual, as inscrições hieroglíficas deixadas em seus monumentos até hoje não foram totalmente decifradas.

Os historiadores dividem a história maia em dois períodos: de 1000 AC até 600 DC, que foi o período de seu apogeu, onde, da península de Yucatán estabeleceram uma brilhante civilização que se expandiu até a Guatemala, Costa Rica e El Salvador. E de 600 DC, quando começou sua decadência, até a invasão espanhola em 1523.

Os maias desenvolveram suas construções em forma de pirâmides escalonadas, encimadas por templos, que eram também observatórios astronômicos. Em volta das pirâmides desenvolviam-se grandes esplanadas, palácios e necrópoles para a aristocracia, mais adiante se distribuía o restante da população, em habitações de madeira e de barro, com tetos de palha. Os avançados conhecimentos que os maias possuíam sobre astronomia e matemática lhes permitiu criar um calendário de notável precisão.

 

Os maias acreditavam descender de um totem, eram politeístas e adoravam a natureza. Cuidavam de seus mortos, colocando-os em urnas de cerâmica. A introdução de práticas cerimoniais sangrentas, a crueldade para com seus escravos e até com seu próprio povo, onde um simples jogo de bola terminava com a decapitação time perdedor, precipitou sua decadência. Além dos seus cerimoniais, eles acreditavam que a autoflagelação dos seus reis os protegeriam nas guerras e os ajudariam a obter boas colheitas. Entretanto nos altiplanos onde se encontravam suas cidades a terra se exauriu e não conseguiu proporcionar a quantidade de milho suficiente para alimentar suas populações, obrigando-as a abandonarem suas cidades e descerem para as planícies, em busca de clima mais quente e úmido.

Quando se deu a conquista dos maias, existiam dois estados distintos: os da península de Yucatán e os da atual Guatemala. Na região da atual Guatemala, os povos maias foram logo vencidos pelos espanhóis. Os maias de Yucatán resistiram até 1546, porém, foram submetidos ao trabalho forçado, perderam sua identidade cultural e a população primitiva foi praticamente destruída.

 


OS ASTECAS

Procedente do noroeste do México, onde viviam como tribos nômades, os astecas chegaram ao vale do Anahuac no início do século XII, fixaram-se em pequenas ilhas do lago Texoco, dominaram as noções de agricultura e absorveram todo o patrimônio cultural dos impérios meso-americanos que o precederam, principalmente dos maias.

Em 1325 fundaram Tenochtitlan, hoje cidade do México, na ilha de Tlatelolco. Até 1340 pagaram tributos à tribo tepaneca, mas formaram uma tríplice aliança entre as cidades de Tenochtitlan, Texoco e Tlacopán, que derrotou os tepanecas e iniciou sua expansão pela zona ocidental do vale do México. Sob o reinado de Montezuma I, o velho, os astecas tornaram-se um povo temido e vitorioso, seus sucessores ampliaram os limites do império até parte da Guatemala. A confederação asteca organizava-se em torno do pagamento de tributos e da contribuição militar por parte dos estados submetidos. Em 1519, sob o reinado de Montezuma II, cresceu o descontentamento entre os povos submetidos pela Tríplice Aliança e houve o primeiro contato com os conquistadores espanhóis. Naquela época, o império asteca se estendia por uma superfície de mais de 200.000 km2 e tinha uma população de cerca de seis milhões de habitantes. A capital asteca, Tenochtitlan, era uma vasta metrópole com cerca de 100.000 habitantes, cercada de água e cortada por um labirinto de canais. Possuía casas caiadas, jardins suspensos, grandes templos, edifícios públicos monumentais e enormes praças de mercado.


Os astecas eram seres pequenos e deformavam a cabeça, como os chinuques, mas sem dúvida eram povos inteligentes. Eles eram fortes, de pele escura, cabelos curtos e grossos, e rostos redondos. O regime asteca era teocrático, governado por um soberano, que era eleito por um conselho de nobres. A sociedade asteca era a dividido em castas, a dos nobres formada pela família real, sacerdotes e chefes militares; o resto da população constituída por lavradores, artesãos e escravos. Alguns membros das baixas camadas livres podiam ascender à categoria de dignitários, graças à bravura nos combates.

Economicamente a civilização asteca se baseou na agricultura e no comércio. Grande parte do vale mexicano apresentava colinas, lagoas e zonas pantanosas que foram adaptadas pelos astecas à agricultura, mediante técnicas engenhosas de drenagem e aterro do terreno. Alimentava-se essencialmente de milho (era tão importante essa cultura que existia até um deus-milho), feijão, abóbora, pimenta e tomate. Em torno do lago Texoco, consumiam-se peixes, crustáceos e batráquios. O chocolate só era consumido pelas classes mais altas.

 

Os astecas conheciam uma escrita hieroglífica, mas a transmissão de sua cultura se realizou principalmente de forma oral. O seu calendário era herdado dos maias. Seus templos eram de estrutura piramidal, construíram também monumentos diques e aquedutos. Os astecas foram também hábeis artesãos e mestres na ourivesaria. Destacavam-se também no artesanato, na pintura de tecidos e mosaicos, e na lapidação de pedras semipreciosas. Os sacerdotes eram encarregados de orientar a educação dos nobres, estudarem os astros e dirigir as cerimônias rituais. Os astecas acreditavam que só um culto duro e severo podia oferecer segurança, isso constituía uma justificativa ideológica para as contínuas guerras onde capturavam inimigos para sacrificá-los aos deuses. Os principais deuses astecas eram: Tonatiuh, o deus Sol, Quetzcoaltl, a serpente emplumada e Huitzilopochtli, o deus da guerra.


OS INCAS

O império inca se desenvolveu também baseado no legado de antigas culturas andinas, como a de Chavin, Paracas, Huari e Tiahuanaco. O primeiro soberano inca conhecido foi o lendário Manco Capac, que no séc. XIII se estabeleceu no vale de Cuzco e dominou os povos que ali habitavam. Seus sucessores construíram a capital Cuzco, edificaram o templo do Sol e adotaram o sistema de cultivo em terraços, posteriormente conquistaram todo o planalto andino e territórios setentrionais da Argentina e do Chile atuais.

 

O império inca consolidou-se com a unificação de antigos povos autônomos, que gozavam de relativa liberdade, unidos pela língua quíchua, o pagamento de tributos e culto ao Sol. Ao longo de três séculos os incas estenderam gradualmente o seu poder para o sul até às águas do Pacífico e para leste até às selvas do Brasil. Sendo aparentemente impossível ir além destas barreiras naturais, deram a este império assim delimitado a designação de o Império dos Quatro Confins. No seu apogeu, o império abrangia quase 1 milhão de km2, com 4800 km de extensão ao longo dos Andes, chegando a uma população de aproximadamente 12 milhões de habitantes.

 

Os edifícios incas se caracterizam pela monumentalidade e sobriedade, com blocos tão perfeitamente talhados que dispensavam argamassa. Suas cidades eram verdadeiras fortalezas, construídas com grandes muralhas de pedra. Entre os principais monumentos consta o Templo do Sol, em Cuzco, uma enorme estrutura de pedra que tinha todo o interior resplandecendo de ouro e prata. A construção dos edifícios da cidade de Machu-Picchu foi feita de grandes blocos de granito, alguns dos quais chegando a pesar três toneladas. É um mistério como os incas que não conheciam a roda e não possuíam ferramentas de ferro ou aço, puderam transportar e montar tais blocos. Milhares de quilômetros de estradas ligavam todos os recantos do império a Cuzco, favorecendo sobremaneira a eficiência da administração.


Os Incas construíram obras que seriam uma árdua tarefa mesmo para a engenharia moderna. Seus belos trabalhos em cobre, bronze, ouro e prata foram, na maioria, pilhados pelos espanhóis. Excelentes tecelões faziam tecidos de vicunha e algodão decorados com penas coloridas. Como não tinham escrita, a cultura era transmitida oralmente, mas inventaram um sistema de cordões com nós a intervalos regulares, tanto para contar, como para registrar os acontecimentos. Dirigida pelo estado, a economia inca era acima de tudo agrária, o comércio não era importante e não existia moeda. Para conseguirem plantar nos altiplanos os incas construíram terraços, formando patamares sucessivos, cortados por longos canais e aquedutos subterrâneos que irrigavam o solo e permitiam o cultivo do milho e da batata. As terras pertenciam ao imperador e eram repartidas, a cada ano, entre os vários segmentos sociais. Nas áreas mais elevadas os incas criavam rebanhos de lhamas, alpacas e vicunhas, que forneciam carne, leite e lã, além de serem usadas no transporte. Os excedentes produzidos eram armazenados em celeiros públicos, abastecendo a população em períodos de fome ou durante os festejos públicos.

O imperador inca era venerado pelo povo como filho do Sol, exercia o poder supremo. A ele seguiam-se os governadores de províncias, a nobreza, o clero e os chefes militares. Os artesões e camponeses deviam servir periodicamente nas forças militares ou na construção de estradas e templos, além de pagar um tributo em produtos agrícolas. Os servos e os prisioneiros de guerra formavam a camada social mais baixa, eram encarregados de proteger seus senhores, cuidarem das terras do templo do Sol e dos armazéns de abastecimento.

Os incas eram adoradores do Sol, fonte de toda a vida, acima do qual reconheciam um Deus, invisível criador de tudo que existe e que os eles denominavam Pachacamac e também havia Viracocha, deus da civilização inca. O principal culto religioso era dirigido ao Sol, fonte de toda a vida, em honra do qual se ergueram numerosos templos. Nas ocasiões importantes, exigiam-se sacrifícios de animais e mais raramente de pessoas, mas o comum era as oferendas de flores, bebidas, folhas de coca e vestes, lançadas ao fogo sagrado. As diversas festividades, em que se realizavam procissões e danças rituais, eram estabelecidas de acordo com os ciclos agrícolas. Atribuíam-se as calamidades públicas à inobservância de algum preceito ou ritual, que devia ser confessada e expiada para acalmar a cólera divina. Os sacerdotes detinham grande poder e desempenhavam a função de curandeiros, instrutores dos jovens nobres, responsáveis pelos sacrifícios e de efetuar previsões.

A derrocada desse império constituiu um dos fatos mais assombrosos da história. Em 1532, o espanhol Francisco Pizarro chegou à região com apenas 180 homens. Bem recebido e aproveitando-se da luta entre os dois herdeiros, Huascar e Ataualpa, quase sem combater, Pizarro conquistou o império inca. Isso se deveu principalmente ao excessivo endeusamento do imperador pelo povo e também à uma lenda de que Viracocha viria pelo mar na forma de um homem branco. Assim, quando Pizarro preparou uma cilada para Ataualpa e o prendeu, pareceu aos incas que o próprio Sol estava castigando seu filho, por isso apressaram-se a pagarem o resgate solicitado. Mas não adiantou, Ataualpa acabou sendo morto e o império devastado.

Observando-se os três maiores impérios pré-colombianos constata-se muitos pontos em comum entre eles: o plantio do milho como alimento base; os astecas e os incas eram simples tribos nômades, que, segundo os historiadores, em apenas trezentos anos (!?), construíram grande civilizações, demonstrando que eram herdeiros de uma cultura anterior; grande equívoco da casta sacerdotal que incutiu nos povos lendas e previsões equivocadas; excessivo endeusamento dos reis Montezuma e Ataualpa, que na verdade eram personalidades fracas e indecisas; os impérios dedicavam cultos ao Sol; os seus templos eram sempre em forma piramidal; suas pinturas apresentavam cenas de motivos religiosos ou históricos, demonstrando que há uma perfeita correspondência da vida, construções e símbolos dos toltecas da América com os do Egito.

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